Hoje acordei atrasada. Quando olho no relógio... 7:42 h. Dei um pulo e me lembrei de todos os compromissos agendados a partir das 8 horas. O que fazer? Ligar dizendo que estou mal, com intoxicação alimentar (essa desculpa é clássica nas empresas). Melhor não. Lembrei de tudo que tinha que fazer antes de sair: arrumar a Laura, que ainda dormia ao meu lado, tomar banho, escolher uma roupa (essa parte é a pior). Estabeleci mentalmente uma meta. Meia hora e teria que sair de casa. Teria que sair às 8 e 12 h. Correria. Banho de 2 minutos. Calcinha e sutiã. Frio danado. Roupa para Laura. Ela ainda dormia. Tiro o pijaminha. Visto-a. Preciso me vestir. Vou ter que repetir um modelito recente. Não dá tempo para criações mirabolantes. Leage preta, meia fio oitenta (hoje tá frio), uma segunda pele básica, não necessariamente nesta ordem. Casaco. Bota ou escarpan? Vou de bota, dá ultima vez que usei esse modelito foi com escarpan. Não tenho muito tempo. Já são 8 horas. Casaco na Laura e rua. Não, esqueci do tênis (da Laura). Ela debruçada no travesseiro. Dificuldade. Soninho bom. Que peninha de tirar minha pequena. Que droga. Mas vamos lá, não há tempo. Tênis à mão. Mas esse é de passear, bem só hoje não dá nada. Apanho Laura, ainda dormindo, as bolsas (a minha e a dela). Poxa vida! Por que papai não me chamou antes de sair? Preciso mandar a roupa para lavar. Já sei. Deixo a chave com o porteiro e ganho tempo. Ele mesmo providencia o encaminhamento da roupa. Cara limpa. Esqueci total do protetor solar, pó compacto e gloss. Essa é minha maquiagem de todos os dias. Não dá nada, faço isso nos sinais fechados fácil, fácil. Ufa! Desço, cadê o porteiro? Viu o Taborda? Graças, está ali. Recomendações dadas. Entro no carro. No relógio do painel são 8 e 12 h. Não acredito. Por que tenho que levantar todos os dias às 6 e 30 da manhã. Preciso repensar. Mas não vai dar. Semana que vem muda tudo. Não vou mais trabalhar no Batel. Vou ter que ir para São José todos os dias. Vinte quilômetros. Terei que manter o horário e aperfeiçoar a maratona. Vida... Dia frio, nublado. Bom para ficar em casa. Mas nem vou pensar nisso. Chego na escola da Laura. Ela está com um pé só do tênis. Quem vê? A tia. Deve estar no carro. Sorriso amarelo. Não está no carro. Esqueci em casa. Que dia! Transito. Mais um sinal aberto. Assim não consigo concluir a maquiagem. Lei de Murphy. E assim vai. Trabalho. Ultima semana aqui. Vou sentir saudades. Apego-me facilmente. Algumas pessoas. Mas a amizade continua. Será? Efêmeras. Vida. Loucura. Corrida contra o tempo e nunca a favor. Pra que? Por Laura. Por mim. Por ele, meu amor! Por algo que nem sabemos direito. Desculpas para não pensar. Mais um dia.
Publicado em 26 de junho de 2007 às 11:20 por srocha